sexta-feira

Vício de linguagem (ou paródia II)

um escreve,
o outro lê.

brincando de separar sílabas:
o traço no meio.
um no canto de cá,
o outro canta por lá.

sonhando com análise sintática:
uma frase estampada.
o que é dito por aí
bem traduzem por aqui.

dentro de cada palavra
uma coisa não para:
a vontade de ser interpretada.

depois do verso formado
o autor, sempre calado
não revela o quê, nem o porquê.

nem conta ao menos
se foi feito pra você.